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É maior a probabilidade de se morrer de uma doença cardíaca (1 em 5) do que de acidente com bicicleta (1 em 4.919), nos Estados unidos, é o que dizem os dados de 2003, da National Safety Council. De acordo com pesquisa feita pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), em 2004, cerca de 35 mil pessoas morrem e outras 300 mil ficam feridas anualmente em acidentes de trânsito no País. Esses “números de guerra”, conforme compara o diretor de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Renato Boareto, impressionam. O repórter Fábio Castro, na reportagem da Agência Repórter Social faz uma comparação assustadora. “São quase 96 mortos por dia – pouco menos que os 108 mortos por armas de fogo todos os dias no Brasil e quase o triplo da média de 34 mortes diárias no Iraque desde o início da ocupação do País”, compara. Em União da Vitória, de janeiro a setembro deste ano foram registrados pela Polícia Militar mais de 310 acidentes de trânsito. Desse total, 48 envolveram ciclistas. Isso representa pouco mais de 15% do total de acidentes. Segundo o Tenente Irineu Antoszczysyn, a maior parte dos ciclistas não respeita o trânsito, a mão de direção ou os sinais, e que “talvez, alguns respeitem, não têm esse tipo de atitude”. A palavra “talvez”, utilizada pelo tenente, demonstra que esse é um conceito criado devido ao comportamento observado diariamente no trânsito da cidade, e que é compartilhado por grande parte da população. Como a Polícia Militar não tem embasamento legal para autuar ciclistas e pedestres, segundo ele, não há muito que fazer. Para que isso fosse possível, o município deveria regulamentar o tráfego de ciclistas na cidade.
Rosalina Osatczuk Ilczyszyn, 58 anos, conhecida Dona Lina, que já criou filhos e está vendo seus netos crescerem, é ágil e se movimenta rapidamente por entre os carros no centro das cidades. Ela nunca se envolveu em acidentes com automóveis, mas já bateu em pessoas que se atravessaram em sua frente. Segundo ela, em todo esse tempo pedalando aconteceram apenas dois pequenos acidentes. Em uma descida a caminho do trabalho, um bêbado atravessou a rua sem olhar, e ela acabou batendo nele, mas ninguém se machucou; a outra vez foi perto da Ponte Machado da Costa, que ela atravessa quatro vezes por dia. O repórter da Folha Online, Marcos Dávila, depois da experiência de um mês andando de bicicleta por São Paulo, conta na reportagem de 18 de novembro de 2004, que além de quase ter sido roubado, achou que seria esmagado por ônibus e carros na bagunça do trânsito paulistano. Segundo disse à Revista Detrânsito - veículo informativo, mensal, do Detran-PR (Departamento de Trânsito do Paraná) - de novembro de 2003, a psicóloga especialista em Psicologia Social coordenadora do curso de especialização em Trânsito da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Adriane Picchetto Machado, o trânsito não pode ser estudado de forma isolada do comportamento da sociedade. “Temos que partir do pressuposto de que é fruto de uma cultura. A forma como uma pessoa se comporta no trânsito reflete-se no social. A sociedade brasileira é machista e a violência é um valor, enquanto a vida tornou-se um valor secundário”, alerta. A Psicologia Social é a modalidade da ciência que estuda o comportamento do indivíduo em relação à sociedade. Outro ponto importante é a falta de levantamentos sistemáticos sobre a maneira como ocorrem os acidentes envolvendo ciclistas, no País, dificulta a ação. “Sem informações significativamente importantes não há como elaborar medidas de prevenção e na tomada de decisão, entre alternativas de projeto para a circulação de bicicletas”, explica a arquiteta e urbanista carioca, Mônica Fiúza Gondim.
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