Desde 2003 a Secretaria Nacional de Transporte e Mobilidade Urbana vem estudando a integração dos meios de transporte praticada em Cuba para aplicar no Brasil. “A grande novidade, que trabalhamos desde 2003, é a superação da análise fragmentária da mobilidade. Pensamos num sistema integrado que permita o deslocamento a pé, de bicicleta, ônibus, metrô, trem e automóvel”, diz o diretor de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Renato Boareto.

De acordo com os estudos da arquiteta e urbanista carioca, Mônica Fiúza Gondim, Recife, capital de Pernambuco e o Rio de Janeiro merecem destaque, pois têm um bom planejamento do sistema viário para veículos não-motorizados. Segundo ela, em relação à circulação de veículos motorizados, o destaque é Porto Alegre na comparação realizada somando-se as áreas de pistas com as faixas de estacionamentos e de baias para ônibus. Na capital gaúcha está sendo implantada a integração entre trens e bicicletas.

No Rio Grande do Sul, a Federação Gaúcha de Ciclismo cadastra as bicicletas dos seus associados. O registro é baseado na cópia da nota fiscal, marca, modelo e número impresso no quadro do veículo. Essa medida vem evitando a recompra de bicicletas roubadas. O site Pedal.com.br também criou um Cadastro Nacional de Bicicletas Roubadas, com o objetivo de evitar que lojistas e ciclistas comprem bicicletas roubadas e que ladrões consigam repassar esse material, fazendo, assim, diminuir a demanda por esses produtos roubados.
O mecânico de bicicletas Claudinei Grochowski, de União da Vitória, contou que já chegou a sugerir para a Câmara de Vereadores da cidade, que fosse instituído algo parecido, mas, frustrado, diz que não houve resposta. O objetivo do cadastro seria registrar a bicicleta, dando um documento de porte para o proprietário. Para Grochowski, esse procedimento iria diminuir muito o trabalho da polícia e talvez até a criminalidade. “A polícia civil não tem um cadastro especificando o que foi roubado, com número do BO (boletim de ocorrência). Se a pessoa chegar com uma bicicleta lá e quiser saber se ela é roubada, não tem como saber. O máximo que se pode fazer é procurar nos inquéritos, boletim por boletim, o que nem a polícia militar tem como fazer isso. Se houvesse esse cadastro, cada ciclista deveria ir à delegacia de polícia civil verificar se sua bicicleta não consta desse cadastro de bicicletas furtadas e receberia uma carteirinha de que ela passou por esse cadastro e não consta lá”, diz. Segundo seu pensamento, não haveria mais receptação, pois ninguém compraria bicicleta roubada, e com isso acabaria a marginalidade, acabariam os furtos e acabaria a escola de bandidos e a polícia poderia ir atrás dos que sobraram, os criminosos de verdade. “Eles só se preocupam com os criminosos de verdade, mas se esquecem de podar a raiz, que começa nos ladrões de bicicletas. É a mesma coisa que querer criar um país rico e evoluído sem melhorar a educação que é a base”, diz.

 


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