Depois de seis mil quilômetros, cinco meses e um continente, o ciclista paulista Arthur Simões Cardoso Neto continua com o Projeto Pedal na Estrada, que pretende dar a volta ao mundo, compartilhando experiências e informações com aqueles que não puderam sair pedalando com ele. “Entre os principais objetivos do Pedal na Estrada estão a captação, produção e disseminação de conhecimento sócio-cultural, englobando a antropologia e a estrutura de equilíbrio dos seres vivos, presentes nos locais visitados”, conta.

Segundo Cardoso Neto, a bicicleta foi escolhida como meio de transporte, para que o projeto pudesse combinar harmoniosamente, as duas propostas, um programa socioeducativo e uma aventura esportiva. “Trata-se de um meio de transporte ecologicamente correto, ou seja, não poluente e rápido, que permite ao ciclista um contato extremamente próximo ao coração das culturas visitadas, evitando que ele fique restrito aos locais turísticos ou às grandes cidades”, conta.

Cristiano, Maicon e Francisco arrumaram as mochilas, pegaram suas bicicletas e resolveram sair com o objetivo de quebrar o recorde do Guiness Book, O Livro dos Recordes. O objetivo dos rapazes era chegar ao Oiapoque, no Amapá, em três meses. Mas um percurso tão longo em situação tão precária e sem preparação dificilmente daria certo. Nem bem chegaram à metade do caminho, as dificuldades começaram a apertar e depois de cada um ter ido para um lado, resolveram voltar para casa.

A história é contada por Mariana Honesko, no Jornal O Comércio, de 24 de outubro. A repórter conversou com Cristiano, que foi o que chegou mais longe, quando ele já estava de volta e procurou o jornal. Saudades de casa, dificuldades estruturais e cansaço fizeram com que o trio de jovens desistisse da aventura.

Quem tem mesmo objetivo de bater um recorde já sai de casa com um espírito de superação humana. Como é o caso de Silvio Marchiori, que percorreu 20.010 km de bicicleta, passando por todas as 27 capitais brasileiras em um ano. Esse recorde está registrado no Rank Brasil, o livro dos recordes brasileiro. O curitibano sempre foi movido por adrenalina e adepto do esporte, o que facilitou muito na resistência necessária para a tarefa.

Em junho deste ano, Antônio Rogério do Nascimento, 36 anos, passou por União da Vitória com sua bicicleta Monark cargueira adaptada para viagem, que carinhosamente chama de BMW, a fim de cumprir o percurso de 42 mil quilômetros e bater o recorde de um norte-americano, e entrar para o Livro dos Recordes. Ele pedala cerca de 10 horas por dia, e por onde passa é uma atração. Para conseguir o recorde ele precisa cumprir o trajeto no período de três anos.

Nascimento foi salva-vidas de rodeio, e nessa profissão era conhecido como palhaço Perereca. Ele saiu de Anápolis, no Mato Grosso, em 1º de março de 2004, com sua bicicleta equipada com cinto de segurança, retrovisor, buzina, televisão, rádio, colchão, cobertor, rede para dormir e cobertura para se proteger da chuva. Nascimento foi roubado várias vezes, levaram sua cozinha, televisão, máquina fotográfica e celular, mas ele continua firme.

O aventureiro leva um diário para que por onde passe colete assinaturas de autoridades. Por onde passa, o aventureiro, também conhecido como palhaço Perereca, é tratado com carinho pela população.

 


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