No caso ao lado, a arte imita a vida. Na fotografia da instalação Homenagem a Ladrões de Bicicletas, em que as bicicletas amontoadas no chão não são mera coincidência se comparar com a fotografia ao lado, as bicicletas resgatadas pela Polícia Civil, de Porto União. O volume é grande, mas muitas vítimas que perderam suas “magrelas” nem registram queixa porque conhecem a dificuldade de reavê-las.

Segundo o Delegado de Polícia Adjunto da 4ª Subdivisão Policial de União da Vitória, Sebastião Gaspar, apesar de serem casos pequenos, é grande o esforço para que sejam resolvidos, contudo a realidade do efetivo policial não permite maior eficiência, devido ao fato de serem apenas dois investigadores para atenderem a seis municípios da região. O delegado crê que esse problema não é privilégio de União da Vitória, mas que aconteça pelo mundo. Contudo o que agrava a situação é a falta de efetivo na prevenção ostensiva fardada, ou seja, Polícia Militar, e repressiva, Polícia Civil.

O delegado acredita que a repressão é mais eficaz. “Quando o criminoso tem a expectativa mental, consciência de que se ele cometer um ilícito será punido, ele se retrai, e isso acontece quando a Polícia Civil identifica o autor do delito, instrumenta um inquérito policial, vai ao judiciário e sofre uma sanção de acordo com a lei vigente; diante disso, os que interagem com esse criminoso, no seu círculo social, retraem-se porque o seu colega foi reprimido de acordo com os termos da lei”, afirma.

Gaspar, que é adepto da unificação das polícias, acredita que somente quando a cultura do povo mudar é que esse panorama irá se alterar também. Ele afirma que quando o País chegar a esse nível de desenvolvimento, haverá uma valoração de quem teve sua bicicleta subtraída por furto ou roubo, terá mais importância do que quem teve seu carro importado roubado, pois ele é segurado, na maior parte das vezes, mas a bicicleta do trabalhador, que a utiliza como principal meio de transporte, certamente, não tem essa segurança. “Atualmente, na prática, há uma inversão de valores, em que o BMW furtado ou roubado recebe um tratamento diferenciado, até mesmo por parte da imprensa, enquanto as centenas de bicicletas subtraídas diariamente não recebem nem uma notinha nos jornais. Mas também não culpo a imprensa, que está fazendo seu trabalho, pois esse é um problema de cultura”, diz.

Rosalina Osatczuk Ilczyszyn, 58 anos, conhecida como Dona Lina, por exemplo, teve sua bicicleta roubada em frente de uma loja. Era uma bicicleta nova, uma Monark Barra Circular, que, segundo alguns donos de bicicletarias, é das mais procuradas pelos trabalhadores que as utilizam no dia-a-dia como principal transporte. Assim como muitos outros ciclistas, ela não teve como reaver a bicicleta. Dona Lina não tomou cuidado e deixou a bicicleta estacionada, sem nenhum dispositivo de segurança. Ela admite que é descuidada, mas atualmente usa uma bicicleta muito antiga, que foi comprada usada, de um vizinho. É antiga e muito usada, mas é importada e muito resistente, e por não ser bem cuidada – está sem pintura – não chama a atenção dos bandidos.

Se o ciclista tiver sua bicicleta roubada, pode cadastrar informando o número do Boletim de Ocorrência (BO) e, se tiver o número do quadro, também é importante. O site está interessado em divulgar essa campanha, para que a idéia de cadastro nacional tenha êxito e se alastre. Tratando do mesmo assunto, o deputado Ivo José, do Partido dos Trabalhadores (PT) de Minas Gerais, entrou com o Projeto de Lei nº 5368/05, criando o Cadastro Nacional de Bicicletas, para ser administrado por um órgão do Poder Executivo, e acessível pela internet. Contudo, nesse caso, a idéia é realizar o cadastro da bicicleta antes de ser roubada.

Dicas de segurança

  • Tranque a bicicleta com a máxima segurança.
  • Utilize cadeados confiáveis. O mais seguro é do tipo "U".
  • Retire todos o elementos que são de encaixe, como: ciclocomputadores, faróis, - lanternas, bombas, trava do selim e caramanhola.
  • Prenda a bicicleta pelo quadro, fazendo com que o cabo de aço ou corrente prenda também a roda dianteira e o selim.
  • Nunca prenda apenas pela roda.
  • Não utilize, no dia-a-dia, uma bike que chame muito a atenção.
  • Escolha um lugar seguro para deixá-la.
  • Conquiste o seu espaço.

Fonte: Guia Bike na Rua

A Bike Magazine também dá importantes dicas de como cuidar da segurança da sua bike.

 


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