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A bicicleta pode ser considerada um símbolo de liberdade para crianças e adolescentes, da mesma forma que o carro e a moto são para os adultos habilitados para guiá-los. Na infância e na adolescência sair pedalando por aí leva a expandir os horizontes e a conhecer melhor o mundo ao redor. As cenas descritas nos versos que se ouve na abertura do site representam o verdadeiro tesouro da juventude que se guarda para sempre. Uma riqueza que não tem como vender, nem emprestar. São lembranças de uma época em que as responsabilidades não eram tantas que vêm à mente ao se deixar levar pela canção interpretada pelo cantor mineiro Beto Guedes. Os versos da canção são de autoria dos compositores Tavinho Moura e Murilo Antunes. A letra de Tesouro da Juventude descreve o que representa para um menino a possibilidade de explorar a cidade pedalando sua “magrela”, sentindo o vento bater no rosto. É ela que, muitas vezes, ajuda a expandir os horizontes e a conhecer melhor o mundo ao redor, nesse período da vida. Uma experiência inesquecível de simplicidade e liberdade. Pode ser coincidência, mas o nome da música remete a uma enciclopédia que fez parte da vida de muitas crianças e adolescentes, e que tem como pretensão levá-los ao mundo do conhecimento. “Thesouro da Juventude é uma Encyclopedia em que se reúnem os conhecimentos que todas as pessoas cultas necessitam possuir, oferecendo-os em forma adequada para o proveito e entretimento (sic) dos meninos”, conta o site do professor Henrique Fleming, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP). E é na fase da adolescência que aparecem muitas histórias e aventuras relacionadas à bicicleta e de como se aprendeu a pedalar, os tombos, as risadas, a vergonha, a satisfação. Para o estudante Gustavo René Lozinski, 15 anos, a experiência de aprender a dar as primeiras pedaladas com os pais lhe trouxe autoconfiança e marcou sua vida para sempre. “Eu sentia a confiança que eles me transmitiam, e a cada queda eles me estimulavam a levantar e a não desistir, e sempre foi assim, sentindo muito mais que a presença e, sim, a confiança que eles transmitem”, conta. A presença dos pais foi crucial naquele momento da vida de Gustavo. O respeito, a amizade e a cumplicidade entre eles foram reforçados e serão levados para o resto da vida. E tudo isso aconteceu por meio de uma bicicleta. Atualmente, ele não é nenhum ciclista profissional, nem tem pretensões a esse respeito, mas quando solicitado, no colégio, a escrever uma redação sobre algum fato que lhe marcou a infância, não hesitou em registrar essa passagem, para ele tão significativa. As duas cidades ficam em uma área de divisa entre Estados, correspondem a mais de 150 quilômetros quadrados, que ficam a mais de 750 metros do nível do mar, mas que estão em terreno plano – União da Vitória mais que Porto União - e com poucos aclives, o que facilita a locomoção por meio de bicicleta. Mas, além da configuração geográfica, alguns fatores levam o trabalhador a optar pela bicicleta como principal meio de transporte diário. O veículo é relativamente barato – pode-se comprar uma por cerca de R$ 300 -, não necessita de combustível, e a manutenção não é tão freqüente, além de ser barata, se comparada com a de qualquer carro popular. Por volta de 80% dos funcionários da empresa Pormade, indústria de portas de madeira decorativas de União da Vitória, vão e voltam do trabalho de bicicleta. Por isso, a empresa investiu em um benefício incomum, mas eficaz, diante dos números. A Pormade tem, há sete anos, convênio com duas oficinas, que recolhem as bicicletas pela manhã e se comprometem a devolvê-las no final do expediente. Segundo a diretora de recursos humanos da empresa, Hermine Luiza Schreiner, os atrasos e as faltas eram freqüentes, em decorrência de bicicletas com defeito e agora esse panorama mudou. “Houve redução de faltas, que significa benefício para ambos, pois todos perdem com as faltas, redução de solicitação de vales fora das datas previstas”, justifica. Essa iniciativa mereceu destaque nacionalmente, na revista Época, que enviou uma repórter para conferir a aplicação do projeto e os resultados. Da mesma forma que os funcionários dessa empresa, muitos trabalhadores, como Rosalina Osatczuk Ilczyszyn, 58 anos, mais conhecida como Dona Lina, não trocam sua bicicleta por ônibus, nem em dias de chuva. Em 20 anos trabalhando na mesma empresa, ela faz diariamente o mesmo caminho, pedalando cerca de 20 quilômetros, de casa para o trabalho, entre idas e vindas. Ela poderia pegar o ônibus, que pára em frente a sua casa, mas diz que não tem paciência de esperar por ele. “O ônibus passa na frente do meu portão às 6h30, a hora que eu saio. Quase todos os dias eu saio pedalando logo atrás dele, mas sempre chego antes”, conta. A arquiteta e urbanista carioca, Mônica Fiúza Gondim constatou na sua pesquisa de mestrado que a bicicleta é um meio de transporte flexível e econômico que em jornadas na área urbana com menos de 5 km compete em termos de igualdade com o transporte motorizado. “Ela requer pouco espaço, tem baixo consumo de energia e é o meio de transporte mais veloz numa cidade congestionada, podendo ser 50% mais rápida do que o automóvel”, afirma. União da Vitória não pode ser comparada com uma cidade que sofre com congestionamentos, mas andar de bicicleta também representa vantagem, pois, além de se locomover de forma barata, pode-se praticar exercícios nesses pequenos trajetos. Baseado nessas constatações por todo o País, o Ministério das Cidades criou, há mais de dois anos, o Programa Brasileiro de Mobilidade por Bicicleta - Bicicleta Brasil, com o objetivo de incentivar os municípios a implantarem sistemas cicloviários, que direcionem ações para a segurança de ciclistas; não apenas criar ciclovias, mas mudar a cultura do privilégio ao automóvel. “As cidades são pensadas como se um dia todas as pessoas fossem ter um automóvel e isso nunca vai, nem pode, acontecer. As pessoas escolhem o meio de transporte a partir do estímulo do poder público”, afirma. Diante dos dados de União da Vitória, em junho deste ano, o Presidente da Câmara Municipal de Vereadores de União da Vitória, Sérgio Andrekowicz, apresentou na reunião de 12 de junho, o requerimento que enviaria ao Ministério das Cidades a fim de conseguir recursos, por meio desse programa do Ministério das Cidades, para melhorar a estrutura cicloviária do Município, com base na justificativa de que centenas de trabalhadores utilizam a bicicleta para se deslocarem a seu emprego. Segundo o requerimento, as ciclovias têm por obrigação serem construídas ou adequadas de acordo com nas normas de segurança, o que torna necessários recursos financeiros da área federal. O requerimento foi enviado em junho e, de acordo com o assessor da direção geral da Câmara de Vereadores, Marco Antônio de Lima, não houve nenhuma resposta do Ministério até 11 de outubro, mas a Câmara ainda aguarda para este ano alguma resposta. |
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