Poluição, barulho, dor de cabeça, irritação são constantes reclamações dos moradores de grandes cidades. Também pudera, segundo arquiteto e urbanista paulista Sérgio Luiz Bianco, a frota de automóveis só na capital paulistana é de 5,5 milhões, a maior parte deles ocupados por uma só pessoa, o que explica os 70% da poluição atmosférica atribuída aos resíduos de combustível expelidos por eles.

Em Porto União, segundo o presidente do Conselho Municipal de Trânsito do Município, Waldir Jukowski, a frota de automóveis aumenta 10% anualmente, enquanto a infra-estrutura viária da cidade não consegue acompanhar.

Afra Balazina divulgou, em uma reportagem publicada em agosto de 2005, na Folha Online, que diariamente oito morrem, em São Paulo, devido ao volume de poluição atmosférica. Para o ambientalista Jacques Demajorovic, professor da Faculdade de Ciências Ambientais, do Senac de São Paulo, um ciclista na rua representa um carro a menos no trânsito e, conseqüentemente, menor poluição do ar – fator que afasta os ciclistas.

A Federação Portuguesa de Utilizadores de Bicicleta fez um levantamento e descobriu que cinco mil bicicletas em circulação representam 6,5 toneladas a menos de poluentes no ar, que dez bicicletas estacionadas ocupam a vaga de um automóvel, e cinco bicicletas em movimento ocupam o espaço de um automóvel. Esses dados estão no site da Organização Não-Governamental (ONG) Rua Viva, Instituto de Mobilidade Sustentável, que atua nacionalmente desde 1999, com o objetivo de restaurar a função social da rua, como espaço democrático de uso, priorizando os modos de transporte coletivo, a pé e de bicicleta.

Juntando a isso o fato de que congestionamentos quilométricos são rotina para quem se aventura a sair de carro, em metrópoles como São Paulo, é possível imaginar um cenário caótico. Não são incomuns registros de congestionamentos que chegam a 200 quilômetros de extensão, conforme dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) do Estado. Em situações como essa, a velocidade média chega a 20 quilômetros por hora, enquanto a velocidade média da bicicleta em terreno plano é de 25 quilômetros por hora. “Não tenha dúvida de que a mobilidade da bicicleta é muito maior que a de qualquer outro veículo. Já tive várias comprovações de que a velocidade média é bem superior a dos carros”, afirma Bianco.

Diante dessas estatísticas, percebe-se que além da poluição e perda de tempo, os acidentes de trânsito são uma grande preocupação entre motoristas e ciclistas, e as estatísticas indicam o esgotamento de um modelo. “Pedalar é muito antigo e mesmo com toda a tecnologia, gastos e devastações provocados pela indústria automobilística e do consumo, ainda não inventaram um veículo mais eficiente, mais racional, mais econômico, mais rápido, mais prático e menos poluidor para o transporte urbano do que uma simples bicicleta”, comenta um dos pioneiros no mountain bike, no Brasil, Cleber Ricci Anderson.

Sem contar que, segundo o presidente da ONG Transporte Ativo, Fernando José Lobo, de carro apenas se passa pelos lugares, não observa. “Andando a pé, de ônibus ou de bicicleta você enxerga a cidade por um outro ângulo”, observa.

 


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