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Desde os esboços de Da Vinci, já se passaram mais de 500 anos. O projeto passou por inúmeras mãos, na certeza unânime de que esse invento seria de grande utilidade para a humanidade. Deve ser por isso que a bicicleta nunca saiu de moda, principalmente, nos países da Europa, onde ela tem papel fundamental no transporte urbano e também em viagens de curta distância, visto que lá existe um grande e organizado sistema de ciclovias e de integração de meios de transporte. Na Holanda, na Inglaterra, na Bélgica, na Escandinávia, e também na China, que fica na Ásia, a bicicleta é utilizada como meio de locomoção no trânsito. Enquanto na Itália e na França, além de muito utilizada no transporte urbano, o ciclismo é um esporte muito difundido. Para Cristiano Hickel, membro da Organização Não-Governamental (ONG) Transporte Ativo, a era do carro como sinônimo de status acabou. “Agora vemos essa máquina como símbolo de uma ganância irracional do homem”, afirma. Um estudo realizado pela Unesco (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) (http://www.biciclo.teca.nom.br), em 1998, já alertava que os países industrializados já haviam percebido os benefícios de se deixar o carro na garagem, enquanto nos países em desenvolvimento o transporte motorizado era cada vez mais difundido, como símbolo de status, conforto e de uma vida melhor. No Brasil, oito anos depois desse estudo da Unesco, a bicicleta vem tomando gradativamente seu lugar nos centros urbanos. Segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), no Brasil, são produzidas, atualmente, cerca de 5 milhões de bicicletas por ano. Contudo, a estrutura para que se pedale confortavelmente e com segurança não vem acompanhando essa demanda. São Paulo tem muitos ciclistas interessados em que a estrutura cicloviária da cidade melhore, pois os que não deixam a idéia de se locomover de bicicleta acabam passando por situações de perigo constantemente, por terem de dividir espaço com os carros. Segundo o arquiteto e urbanista paulista Sérgio Luiz Bianco, São Paulo está carente nesse aspecto, pois com 15.600 quilômetros de ruas e avenidas, possui apenas 30 quilômetros de ciclovias para atender 250 mil bicicletas circulando diariamente. Essa disparidade é perigosa e muitos acidentes têm acontecido em decorrência disso. Conforme dados da Unesco, 95% dos acidentes com ciclistas acontecem nos cruzamentos. Já o Rio de Janeiro é um exemplo nesse aspecto, com 144 quilômetros de ciclovias, que contornam a orla e atravessam diversos bairros. Segundo a Secretaria Municipal de Urbanismo do Estado, atualmente são realizadas 220 mil viagens de bicicleta diárias na cidade. O Rio de Janeiro é a cidade com maior número de bicicletas por habitantes. Em Volta Redonda, onde fica a usina da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), muitos ciclistas utilizam a bicicleta como meio de locomoção para ir ao trabalho. Vladimir Francisco Magalhães, que usa a bicicleta diariamente com esse objetivo, critica a falta de ciclovias na cidade e disse para o jornal Diário Online, que ainda há muito preconceito e muitas pessoas não usam a bicicleta como meio de transporte por sentir vergonha. “A falta de espaços para pedalar com segurança é muito ruim. Volta Redonda é uma cidade pequena para se andar de carro, prefiro a bicicleta. Também acredito que se a prefeitura implantasse uma ciclovia paralela à Avenida Siderúrgica, margeando a CSN, seria ótimo, porque passaria por vários bairros da cidade”, reclama. De acordo com reportagem do Jornal Hoje, da Rede Globo, transmitido em 3 de junho, há pouco mais de dez anos, eram 30 milhões de ciclistas no País - hoje esse número dobrou - que usam a bicicleta para ir de um lugar a outro, e a maior parte vive na Região Sudeste. Mas, mesmo com esse aumento no número de ciclistas, a estrutura cicloviária ainda é pequena nas cidades brasileiras. Segundo a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), no País inteiro existem apenas 600 quilômetros de ciclovias em uso, enquanto na Holanda, que tem o tamanho equivalente ao dobro de Sergipe - 21,9 km2 - são 15 mil quilômetros. Para o presidente da ONG Transporte Ativo e membro do Grupo de Planejamento Cicloviário da Cidade do Rio de Janeiro, Fernando José Lobo, o Estado já avançou bastante no transporte cicloviário, mas ainda precisa melhorar a infra-estrutura. “A ciclovia é importante porque é uma espécie de berçário do ciclista, pois é lá que ele adquire segurança para pedalar nas ruas”, afirma. O coordenador educacional do Departamento de Trânsito do Rio de Janeiro (Detran-RJ), Gilberto Cytryn, admite, em reportagem do JB Online, que o ciclista não é bem informado das leis de trânsito, e lembra que em locais que não houver ciclovia, nem acostamento, os ciclistas devem trafegar pela rua do lado direito, no mesmo sentido dos carros; e que só é permitido o tráfego na contramão, em locais em que não houver ciclofaixa. Como a bicicleta é considerada por lei um veículo, não deve andar na calçada. A única exceção ocorre quando o ciclista estiver andando e empurrando a bicicleta. Além disso, é importante que ele conheça seus direitos e deveres, que constam no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Lobo acredita que o trabalho a ser feito ainda é grande, mas que se as pessoas, se sentirem mais seguras, vão andar ainda mais de bicicleta. |
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