Foi na Europa que a bicicleta surgiu e é lá que ela encontra o maior número de usuários, que a utilizam regularmente, como meio de transporte. Segundo reportagem da Folha Online, de 18 de novembro de 2004, na Europa, 30% dos trajetos curtos, menos de 3 quilômetros são feitos de carro, contudo, nesse espaço a bicicleta é mais rápida e pode substituir o automóvel. Segundo a arquiteta e urbanista carioca, Mônica Fiúza Gondim, a cidade do Rio de Janeiro, devido ao tráfego hostil, tem levado a construção das faixas compartilhadas junto aos passeios.

O presidente do Conselho Municipal de Trânsito do Município, Waldir Jukowski não acredita na eficiência das ciclofaixas ou faixas compartilhadas, pois diferente da Europa, no Brasil as pessoas ainda são muito mal-educadas, no trânsito.

Na Inglaterra, Alemanha e Holanda, a bicicleta é tratada como veículo, e em áreas onde há restrição para o acesso de veículos, a bicicleta também não entra. “As autoridades na Holanda toleram a circulação de bicicletas em calçadas, desde que não traga desconforto e acidentes para os pedestres”, complementa Gondim.

Em Dublin, na Irlanda, 11% da população tem a bicicleta como principal meio para ir ao trabalho. Na Suécia, que é um país frio, 33% de todo o deslocamento realizado em Västerãs, que tem 115 mil habitantes, é feito por bicicleta. Mesmo na Suíça, que não é um país plano, a bicicleta é utilizada em 23% dos deslocamentos em Basiléia, com 230 mil habitantes. Dinamarca e Holanda, países planos, lideram a utilização da bicicleta na Europa, com 958 e 1.019 quilômetros percorridos por habitante, respectivamente, a cada ano. Em Redmond, Noroeste dos Estados Unidos, os ônibus urbanos têm espaço para transportar duas bicicletas. Até mesmo os paramédicos a utilizam. Em Cuba, em determinados trechos alguns ônibus não têm bancos, para que passageiros com bicicletas possam utilizá-los. De acordo com a análise de um dos pioneiros no mountain bike, no Brasil, Cleber Ricci Anderson, o uso da bicicleta como transporte, nesses países, é incentivado e como o resultado é benéfico para a população, ela apóia e respeita o trânsito e o espaço do ciclista.

“Bicicletas, especialmente quando integradas ao transporte público, parecem ser a resposta para este novo desejo de retomar as ruas e os lugares públicos colonizados pelo carro”, afirma Benoit Lambert, no texto A força do pedal: um meio de transporte limpo invade as cidades.

A bicicleta teve participação historicamente importante pelo mundo, principalmente em países em desenvolvimento. De acordo com informações da Unesco (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization), ela permitiu que os médicos agissem rápido durante a guerra na Nicarágua; possibilitou que os gêneros alimentícios fossem levados de um a outro dos três mercados em Riobamba, no Equador; que cargas pesadas fossem transportadas em triciclos, em Hanói, no Vietnam; que o pão fosse distribuído a 22 mil pontos de venda, em Bogotá, na Colômbia, entre outras.

Segundo o texto de Lambert, a mulher jovem com sua bicicleta transformou-se em um símbolo da emancipação tão forte, que quando os intelectuais de Cambridge, no Reino Unido, protestaram, em 1897, contra a admissão das mulheres, foi pendurada uma estátua de uma mulher pedalando, em protesto.

 


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