Para duas cidades cortadas por um rio, como União da Vitória, no Paraná e Porto União, em Santa Catarina, uma ponte é muito importante, pois liga pontos que seriam de difícil acesso pela água, se ela não estivesse ali. A Ponte Machado da Costa, antiga ponte ferroviária de União da Vitória, é popularmente conhecida nas cidades como Ponte Férrea ou Ponte de Ferro. Porém, desde 2000 nela não trafegam mais trens, mas automóveis. A ponte foi pavimentada e seus trilhos foram retirados durante a gestão do Prefeito Municipal Pedro Ivo Ilkiv. Desde então, o caminho até o Distrito de São Cristóvão tornou-se mais curto, mas diversas polêmicas foram levantadas sobre o assunto.

A ponte com seus belos arcos, que foi tida como obra de arte pelo escritor catarinense Affonso Reis Teixeira Filho, em seu livro Minha cidade mestiça (2002), está localizada sobre o Rio Iguaçu, e liga o centro das duas cidades a São Cristóvão. Alguns admitem o benefício da ponte ser pavimentada, porém, na época, iniciou-se uma discussão pela retirada dos trilhos, considerados patrimônios históricos.

Conforme registrado no livro do professor Cordovan Frederico de Melo Júnior, Porto União da Vitória: um rio em minha vida (2001), o Jornal O Comércio, na época, manifestou-se claramente contrário à ação do prefeito da época, que resolveu que a ponte seria mais bem aproveitada pela população se dela fossem extraídos os trilhos e ela fosse pavimentada. “Deixamos mais uma vez o nosso protesto ao início da retirada dos trilhos, lembrando que a parte mais emocionante do passeio de trem por nossas cidades era a passagem sobre a ponte. Esperamos que os ‘filhos da terra’ não chorem um dia pelos trilhos retirados, pois será tarde demais.”

A pavimentação seria possível sem a retirada dos trilhos, porém, alegando questões econômicas, afirmou-­se que sairia mais caro para a Prefeitura. Do ponto de vista turístico, essa mutilação da ponte, é bastante questionável. Para a professora Sandra Aparecida de Paula e Souza, mestre em Turismo, essa questão merece ampla reflexão. Segundo ela, em primeiro lugar, além de ser um importante atrativo turístico, a ponte merece destaque por sua importância histórica. A Ponte Machado da Costa demarca a divisa entre União da Vitória, no Paraná, e Porto União, em Santa Catarina, portanto, divide duas Cidades e dois Estados. Em segundo lugar, a ponte remete a um dos períodos históricos do transporte ferroviário de carga e passageiros na região. Além desses aspectos, os trilhos que, hoje, estão apenas na memória das pessoas, possibilitaram o desenvolvimento econômico do Sul do País, nas décadas de 1940 a 1960. “Cobrir, ou melhor, como aconteceu, tirar os trilhos da Ponte Machado da Costa, foi uma atitude insana por parte de nossos governantes. E pior, nós munícipes, professores, enfim todos, fomos tão covardes, que não lutamos para manter vivo esse caminho de trilhos que testemunhou e possibilitou que nossa Região e o Sul do País se desenvolvessem, como aconteceu”, afirma indignada.

De acordo com a visão de Souza, esse patrimônio, hoje, serve apenas como um apoio para a locomoção de trabalhadores, estudantes e carros no sentido do Distrito de São Cristóvão. “Não mais favorece que possamos acordar com o apito do trem que ia ou vinha de outros lugares. Penso que devido a seu valor histórico, cultural e econômico, devesse estar restaurado e com o real valor que merece. Sua estrutura está feia e com aspecto de muita sujeira, parecendo triste, pedindo que alguém lembre dela e lhe valorize por tudo que fez”, diz.

Segundo o professor Ulysses Antônio Sebben, a ponte de mais de quatro quilômetros de comprimento foi inaugurada em 1906, como ponte provisória, feita de madeira. Ela foi construída sobre o vau do rio, e suportou por menos de um ano a estrada de ferro São Paulo - Rio Grande, que na época tinha um intenso tráfego. E 1907, a ponte definitiva foi inaugurada, possuía arcos e era feita de metal.

Essa ponte teve um grande significado econômico para a época, pois integrou definitivamente a região à vida nacional, tornando União da Vitória um importante entroncamento do sistema de transporte do Sul do País. Intensificou e favoreceu o fluxo de produtos e a exploração da madeira e da erva-mate. A fisionomia da cidade alterou-se com a praça da estação, dotada de hotéis e estabelecimentos comerciais. E uma nova classe social tomou conta das cidades, os ferroviários.

As cidades ficaram tão contentes com a inauguração da ponte, que o professor Serapião do Nascimento, hoje nome de uma tradicional escola de União da Vitória, criou versos entusiasmados, que estão reproduzidos na obra de Melo Júnior. Contudo, a ponte de madeira não suportaria por muito tempo o fluxo intenso da estrada de ferro, compro­metendo a segurança dos trens que ali passavam. No mesmo ano foi iniciada a construção da segunda fase da ponte de 425 metros, desta vez em metal, para substituir a de madeira.
Construída durante o mandato de José Lona, a ponte tinha 300 metros em forma de arco e 125 metros em viaduto. Porém, a nova ponte também foi sofrendo com o tempo e oferecendo cada vez menos segurança para os trens que ali passavam.

Nessa mesma época, provavelmente o início dos anos 80, discutia-se que era necessário construir uma ponte até São Cristóvão, pois a Ponte da Avenida Manoel Ribas era muito antiga e estreita, e não suportava mais sua demanda de trânsito que aumentava. Naquela época, já haviam cogitado a idéia de pavimentar a ponte Machado da Costa. A idéia foi tida como retrógrada e muito cara, e, portanto, descartada.

Foi nessa época que a falta de estrutura adequada fez com que o Ministério da Viação e Obras Públicas contratasse a empresa Machado da Costa para realizar a obra de uma nova ponte, mais resistente. A obra foi realizada rapidamente e sem interromper o tráfego normal da ferrovia.

Com a conclusão da nova ponte, também metálica, mas sem os arcos da antiga, iniciou-se uma nova fase da ponte ferroviária das Gêmeas do Iguaçu, como são conhecidas as cidades de União da Vitória e Porto União. A nova ponte foi construída com três pilares a mais, ficando então, com seis, para maior segurança. Além disso, a ponte recebeu passarelas para os pedestres e ciclistas, que antes se arriscavam ao atravessar pelos trilhos, mesmo não sendo adequado.

Em 1986 a passarela do lado esquerdo, destinada aos ciclistas, foi ampliada. As passarelas são estreitas, e não oferecem tanta comodidade na travessia, entretanto, esse é o caminho mais curto para se chegar a pé ou de bicicleta, ao outro lado do rio.

 


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