Apesar de fazer parte do trânsito das cidades, o conceito dos ciclistas é baixo entre os motoristas e outros ciclistas. Para o arquiteto e urbanista paulista Sérgio Luiz Bianco, hoje em dia ainda há muito preconceito e o ciclista é visto como louco. Segundo ele, que há dois anos trocou o carro pela bicicleta, é preciso que haja uma mudança nos paradigmas comportamentais.

Rosalina Osatczuk Ilczyszyn, 58 anos, conhecida como Dona Lina, que enfrenta o trânsito das cidades diariamente com sua velha bicicleta, diz que fica mal-humorada quando lembra dos motoristas mal-educados e de seus colegas ciclistas que, na maioria das vezes, são muito abusados. “Você tem que cuidar com os motoristas, senão eles cortam (a frente). Muitos são atenciosos, mas muitos não respeitam”, conta. “Eles não respeitam o sinal fechado, e, se não cuidar, eles (os ciclistas) cortam a frente mesmo”, reclama.

Como se percebe, a falta de respeito no trânsito é geral, nem mesmo os ciclistas entre si mantêm um espírito de cooperação pelas ruas que dividem diariamente. Dessa forma, pouco se pode esperar dos motoristas com relação às bicicletas, se, entre eles, manter a convivência já não é fácil.

Além de ser um praticante de ciclismo, o triatleta Adir Buschman, de 74 anos, conhecido como Seu Dico só se locomove, pelo centro da cidade, de bicicleta. Ele diz que só usa o carro nos finais de semana, quando sai com a família, ou quando precisa carregar algo pesado, mas concorda que é complicado, difícil e perigoso andar de bicicleta pelo centro de União da Vitória e Porto União. “O povo ainda está naquela de cuidar muito do motorista, senão daria muito mais acidentes de bicicleta, todos os dias”, constata. Ele confessa que às vezes até comete algumas infrações leves, mas nunca atrapalha ninguém, pois geralmente eles acontecem em ruas sem movimento, ou em trechos em que não há perigo ao tráfego.

Em Curitiba, além dos problemas de trânsito comuns enfrentados nas grandes cidades, um dos maiores é a circulação de ciclistas nas canaletas em que circulam os ônibus. Não é difícil encontrá-los utilizando o espaço que, de acordo com a sinalização, é de uso exclusivo dos ônibus. Ou pior, alguns pegam carona segurando-se na traseira do ônibus. Essa atitude irresponsável é perigosa, tanto para o próprio ciclista quanto para os passageiros dos ônibus.

O motorista Feliciano Algacir da Cruz declarou na matéria publicada em julho de 2002, no site do Projeto Digitando o Futuro, de Curitiba, que apesar de circular em uma velocidade média de 20 quilômetros por hora, é muito difícil frear um veículo tão grande como um ônibus biarticulado, por exemplo. Um veículo que tem 25 metros de comprimento e capacidade de transportar 270 pessoas, muito usado na cidade. “Quando um carro está andando, a gente precisa no mínimo de uns 100 metros de distância para fazer ele parar”, explica o motorista.

É possível que os ciclistas de Curitiba se aproveitem das canaletas de ônibus para pedalarem, por não haver ciclovias nesses trajetos e eles não se sentirem seguros de pedalar na via onde circulam os carros, que andam em velocidade bem maior do que os ônibus.

Nesse caso, os fatos deveriam ter aberto os olhos das autoridades para a construção de espaços exclusivos para os ciclistas nesses trechos em que eles têm usado as canaletas, pois o ciclista quer ser incorporado ao trânsito, não quer ser segregado. Se a própria lei diz que a bicicleta é um veículo, ela precisa ser tratada como tal, porém respeitando-se as suas peculiaridades.

 


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