“Caso ou compro uma bicicleta.” Eis uma das mais conhecidas máximas de dúvida. Mas, por que escolher entre um dos dois, se é possível fazer as duas coisas. A ciência já comprovou que quem tem um companheiro ou companheira vive mais, sofre menos e tem menos chance de ter problemas cardíacos e depressão. Por outro lado, também é comprovado que quem pedala tem uma vida mais saudável, tem menos chances de ficar doente e tem bons níveis de serotonina, o hormônio da felicidade, que produzido quando se faz atividades físicas. Diante desses fatos, por que não unir as duas coisas, convidar o parceiro e sair pedalando, certamente os dois irão viver mais e melhor.

Diferentes pessoas concordam sobre os benefícios que a bicicleta oferece aos usuários. Para Rosalina Osatczuk Ilczyszyn, 58 anos, conhecida como Dona Lina, as pedaladas, além de levarem-na ao trabalho, são seu exercício físico diário, e ela sente falta de pedalar quando fica em casa, principalmente, nos finais de semana em que não vai trabalhar. “Eu quase não caminho. Andando de bicicleta, além de ser uma forma de me locomover, é um exercício e faz bem à saúde”, conta.

O esportista Guilherme Cavallari, autor do livro Guia de Trilhas (editora Via Natura), afirma que não tem cabimento o Brasil ser um país de carros e não de pessoas, com cidades pensadas para veículos e não para pessoas. “O ciclismo é um exercício completo e dinâmico, que estimula outras alterações no organismo. Há diferenças de planos e velocidades. É diferente da carga fixa de uma ergométrica”, compara o médico fisiologista Paulo Zogaib, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Márcia Lowe, no texto The Bicycle: Vehicle for a Small Planet, de 1989, confirma a vantagem de a bicicleta ser um transporte e um lazer, ao mesmo tempo em que deve ser enfatizada. Benoit Lambert, no texto A força do pedal: um meio de transporte limpo invade as cidades, diz que um relatório da British Medical Association, publicado em 1992, salientou que andar de bicicleta é uma das maneiras mais simples e mais eficazes de manter a boa forma física.

O consultor de transportes urbanos, Antonio Carlos M. Miranda, diz que o grau de mobilidade experimentado pelos ciclistas nas pequenas localidades é semelhante ao dos motoristas, ou até maior quando se encontra local para estacionar. “A bicicleta, como veículo de transporte, guardada a limitação das distâncias superiores a oito quilômetros e o baixo conforto nos dias de chuva, oferece maior grau de liberdade que o automóvel. Essa sensação de liberdade é tão grande que a bicicleta é habitualmente utilizada em publicidade, de forma associada à natureza, para representar a boa qualidade de vida que o cidadão pode alcançar no futuro com a realização de seguro pessoal, caderneta de poupança ou outros investimentos financeiros”, diz.

Um dos ícones utilizados pelo Partido Verde (PV), na campanha eleitoral deste ano, é uma bicicleta, que aparece ao fundo dos candidatos. O Deputado Federal Fernando Gabeira, filiado a esse partido, assim como outros políticos, já participaram do movimento Na cidade sem meu carro, realizado todo dia 22 de setembro, com o objetivo de desencorajar o uso do carro e demonstrar que a bicicleta não é algo feito apenas para esporte e lazer. “As bicicletas surgem para simbolizar uma vida simples, harmoniosa, com as limitações de nossa bioesfera, e como resposta às novas demandas de um crescente número de habitantes das cidades, em busca de um espaço urbano menos motorizado”, conclui Lambert.

 


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