A fim de testar qual veículo seria o mais rápido no trânsito do Rio de Janeiro, o Jornal da Globo, apresentou, em 31 de agosto, uma corrida promovida pela Organização Não-Governamental (ONG) Transporte Ativo, com o objetivo de demonstrar qual o meio de transporte mais eficiente para enfrentar o trânsito na cidade. Foram testados a moto, o ônibus, o carro, o metrô, a bicicleta, e a combinação de metrô com ônibus, que é muito utilizada.

A corrida foi no centro do Rio, às 18h, daquele dia. Praticamente, uma corrida de obstáculos, como bem observou o repórter, e os obstáculos eram os próprios carros, ou os engarrafamentos formados por eles. Em um trajeto de 15 km, da Central do Brasil ao Leblon, o objetivo era saber quem chegaria primeiro.

O resultado do Desafio Intermodal não surpreendeu. A motocicleta chegou à frente, em 40 minutos; o ciclista chegou em seguida, em 48 minutos e 30 segundos; depois foi a bicicleta dobrável, que pôde ser carregada no metrô, e chegou em 50 minutos; de patins, o caminho foi percorrido em 59 minutos; de bicicleta, pela ciclovia, o percurso foi completo em 1 hora; Érica, que teve de usar metrô e ônibus, levou 1 hora e 2 minutos; o carro chegou depois, e levou 1 hora e 13 minutos; e Carol, que foi de ônibus, levou 1 hora e 20 minutos para chegar ao destino. O resultado foi encaminhado para autoridades de tráfego, como uma tentativa de incentivar o uso da bicicleta no trânsito, como alternativa de transporte. Segundo o presidente da ONG, Fernando José Lobo, que pedalou no teste, andar de bicicleta, no início, cansa, mas aos poucos vai melhorando o preparo físico e a saúde, e, conseqüentemente, a saúde da cidade, também.

Além de ser comprovadamente uma das formas mais ágeis de se locomover pela cidade, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o uso da bicicleta como uma das saídas para melhorar a saúde pública mundial, tanto no sentido de acabar com o sedentarismo, como em diminuir a poluição urbana. O Grupo de Estudo e Pesquisa em Ciclismo (Gepec) que reúne pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, defende o uso da bicicleta como forma de promoção da saúde, preservação do meio ambiente e inclusão social.

A professora da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Gisele Nocetti Ammon Xavier, que coordena o grupo Ciclo Brasil, da universidade, e faz parte da ONG Viaciclo, Associação de Ciclousuários da Grande Florianópolis, afirma que um bom sistema cicloviário promove a igualdade de direitos das pessoas. “Segundo os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), só 40% da população na faixa dos 40 a 50 anos tem acesso ao veículo motorizado. E é a faixa etária com maior poder aquisitivo. Incentivar o carro é incentivar a exclusão”, alerta.

 


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